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Dívida Pública dispara e ultrapassa R$ 8,6 trilhões

Gabriel Aires
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Gabriel Aires
PorGabriel Aires
Gabriel Aires é editor-chefe e fundador do Tudo Crédito. Especialista em análise de produtos financeiros, foca na matemática aplicada para desmistificar algoritmos de Score e taxas...
1 mês atrás
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O expressivo aumento nos juros, aliado às emissões de títulos públicos, resultou em uma elevação da Dívida Pública Federal (DPF) em 2025. De acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta última quarta-feira (28), a DPF encerrou o ano anterior em R$ 8,635 trilhões, representando uma alta de 18% em comparação aos R$ 7,316 trilhões observados no final de 2024.

A maior parte do crescimento do endividamento federal é explicada pela incorporação de juros, que totalizaram R$ 879,9 bilhões no ano anterior. O restante do aumento é decorrente do fato de que, em 2025, o Tesouro emitiu R$ 439,06 bilhões a mais do que resgatou.

dívida permaneceu dentro dos limites estipulados no Plano Anual de Financiamento (PAF) do ano anterior, que previa que o indicador deveria estar entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões ao final do ano passado. Contudo, o PAF sofreu uma revisão em setembro do ano anterior. A versão original permitia que a dívida pública encerrasse 2025 em até R$ 8,5 trilhões.

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A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) cresceu 19,26% no ano anterior, passando de R$ 6,967 trilhões no final de 2024 para R$ 8,309 trilhões no fechamento de 2025. Em dezembro, o aumento foi de 1,76%. No mês anterior, o Tesouro lançou R$ 60,82 bilhões em títulos a mais do que resgatou, especialmente em relação a papéis atrelados à Taxa Selic. A essa emissão líquida, somou-se a apropriação de R$ 82,82 bilhões em juros.

Por meio da apropriação de juros, o governo mensalmente reconhece a correção dos juros aplicados sobre os títulos e adiciona esse montante ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 15% ao ano, a apropriação de juros exerce uma pressão sobre a dívida do governo.

No mês anterior, o Tesouro emitiu R$ 65,37 bilhões em títulos da DPMFi. Devido ao baixo volume de vencimentos de títulos prefixados em dezembro, os resgates foram inferiores, totalizando R$ 4,55 bilhões.

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Impulsionada pela desvalorização do dólar no ano passado, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma diminuição de 6,62% em 2025, passando de R$ 349,19 bilhões no fim de 2024 para R$ 326,07
bilhões ao término de 2025.
Em dezembro, no entanto, o indicador teve um acréscimo de 3,53%. O fator principal foi a valorização de 3,16% do dólar no mês passado, em meio a tensões geradas pelo governo de Donald Trump, além do aumento nas remessas de divisas para o exterior antes da implementação da reforma do Imposto de Renda.

Colchão

Após dois meses de crescimento, o colchão da dívida pública (reserva financeira utilizada em períodos de turbulência ou concentração significativa de vencimentos) reduziu-se em dezembro. Essa reserva caiu de R$ 1,213 trilhão em novembro para R$ 1,187 trilhão no mês passado. O principal motivo, conforme informado pelo Tesouro Nacional, foi a baixa emissão líquida (emissões menos resgates) registrada no mês anterior.

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Atualmente, a reserva cobre 7,33 meses de vencimentos da dívida pública. Para os próximos 12 meses, espera-se que ocorra o vencimento de R$ 1,507 trilhão em títulos federais.

Composição

Devido à intensa emissão de títulos atrelados à Selic, a composição da DPF mudou da seguinte forma de novembro para dezembro:

•     Títulos atrelados à Selic: 48,14% para 48,25%;

•     Títulos corrigidos pela inflação: 26,1% para 25,93%;

•     Títulos prefixados: 22,07% para 22,05%;

•     Títulos vinculados ao câmbio: 3,7% para 3,76%.

O PAF prevê que os títulos devem encerrar o ano nos seguintes intervalos

•     Títulos atrelados à Selic: 48% a 52%;

•     Títulos corrigidos pela inflação: 24% a 28%;

•     Títulos prefixados: 19% a 23%;

•     Títulos atrelados ao câmbio: 3% a 7%.

Normalmente, os títulos prefixados (com taxas definidas no ato da emissão) oferecem maior previsibilidade para a dívida pública, pois as taxas são fixadas antecipadamente. No entanto, durante períodos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões tendem a cair, uma vez que os investidores exigem taxas de juros muito elevadas, o que poderia comprometer a gestão da dívida do governo.

Quanto aos títulos atrelados à Selic (juros básicos da economia), esses têm atraído mais interesse por parte dos compradores em razão das recentes elevações promovidas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna ajustados em dólar e pela dívida externa.

Prazo

O prazo médio da DPF variou de 4,08 anos em novembro para 4 anos em dezembro. O Tesouro apenas fornece essa estimativa em anos, não em meses. Este é o período médio que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos mais longos indicam maior confiança dos investidores na capacidade do governo de cumprir seus compromissos.

Detentores

A estrutura dos detentores da Dívida Pública Federal interna ficou da seguinte maneira:

•     Instituições financeiras: 32,88% do total;

•     Fundos de pensão: 22,76%;

•     Fundos de investimentos: 20,79%;

•     Não-residentes (estrangeiros): 10,35%

•     Outros grupos: 13,22%.

Apesar do aumento da tensão no mercado financeiro em dezembro, a participação dos não residentes (estrangeiros) cresceu, em comparação a novembro, onde estava em 10,05%. Em novembro de 2024, esse percentual foi de 11,2% e atingiu a maior taxa desde 2018.

Através da dívida pública, o governo obtém recursos emprestados dos investidores para cumprir suas obrigações financeiras. Em contrapartida, compromete-se a devolver os montantes após alguns anos, com uma correção, que pode ser realizada com base na taxa Selic (juros básicos da economia), na inflação, no dólar ou ser prefixada (definida previamente).

Fonte: Agência Brasil

TAGS:altadívida públicaTesouro Nacional
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PorGabriel Aires
Gabriel Aires é editor-chefe e fundador do Tudo Crédito. Especialista em análise de produtos financeiros, foca na matemática aplicada para desmistificar algoritmos de Score e taxas bancárias. Sua missão é revelar o que os bancos não contam e democratizar o acesso ao crédito com segurança técnica.

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