Com a insolvência de estabelecimentos bancários pelo Banco Central (BC) desde o desfecho de 2025, notícias e boatos acerca do bem-estar de bancos começaram a circular com mais frequência, nem sempre com informações exatas. Para o comprador e o aplicador, saber discernir alertas legitimados de notícias falsas é vital para resguardar seu dinheiro e tomar decisões seguras.
- 1. Consulte se o banco é habilitado pelo Banco Central
- 2. Utilize bases oficiais de informações
- 3. Analise os principais índices de solidez
- 4. Verifique a garantia do Fundo Garantidor de Créditos
- 5. Desconfie de rentabilidade fora do convencional
- 6. Mantenha-se alerta aos sinais de alarme
- 7. Compare com investimentos mais seguros
Existem meios oficiais, índices públicos e sinais concretos que permitem avaliar a condição financeira de um banco em operação no Brasil. Toda história alarmante sobre estabelecimentos financeiros não é veraz.
Antes de proceder por temor, o consumidor deve consultar fontes oficiais, analisar índices e desconfiar de promessas exageradas. A informação de excelência continua sendo a superior defesa contra rumores e prejuízos.
Verifique o método a ser adotado para averiguar se uma informação desfavorável é legítima ou simplesmente desinformação.
1. Consulte se o banco é habilitado pelo Banco Central
- O ponto inicial é checar se a entidade é aprovada e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil.
- Essa verificação pode ser realizada no site do BC, acessando: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição.
- Bancos não autorizados estão impedidos de operar no sistema financeiro nacional.
2. Utilize bases oficiais de informações
Três categorias de plataforma reúnem dados confiáveis:
- Central de Exibições Financeiras (CDSFN), do Banco Central: no mesmo endereço eletrônico do serviço Encontre uma Instituição, por meio da sequência: digitar o nome da instituição → clicar no desfecho → clicar em Central de Exibições Financeiras;
- Portal Banco Data: organiza informações financeiras de maneira acessível, com diagramas visuais e cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco de cada índice;
- Portal de Relações com Investidores (RI) de cada entidade: toda instituição aprovada pelo BC é obrigada a manter uma página de relação com investidores, contendo todos os dados financeiros e com resumos fáceis de entender. Caminho: pesquisar em qualquer site de busca o nome da instituição + RI.
Tais sistemas facilitam a análise de balanços, resultados e índices de risco.
3. Analise os principais índices de solidez
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Índice de Basileia: avalia a proporção entre capital próprio e riscos assumidos.
>> Mínimo requerido no Brasil: 11% para entidades em geral, 13% para bancos cooperativos;
>> Índice confortável: superior a 15%;
>> Um índice de Basileia 11% representa que, para cada R$ 100 emprestados, a entidade possui 11% de recursos próprios (dos sócios e dos acionistas);
>> Quanto maior, maior é a capacidade do banco de absorver perdas.
- Resultado líquido recorrente: ganhos consistentes ao longo do tempo indicam ótima gestão.
- Inadimplência da carteira de crédito: percentual de empréstimos vencidos por mais de 90 dias. Índices elevados caracterizam um risco.
- Índice de imobilização: demonstra quanto do capital está investido em ativos fixos (como propriedades que não podem ser vendidas em momentos de crise); valores altos diminuem a liquidez.
- Classificação de crédito: avaliações atribuídas por empresas como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos seguidos acendem um sinal de alerta. Contudo, no caso do Banco Master, diversas agências concediam nota alta e risco baixo à entidade.
4. Verifique a garantia do Fundo Garantidor de Créditos
Para o investidor, é crucial confirmar se a entidade é coberta pelo FGC, que assegura até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), com limite global de R$ 1 milhão reembolsado a cada quatro anos.
O FGC engloba os seguintes recursos e investimentos:
- Contas correntes e poupança;
- CDB e RDB;
- Letras financeiras dos seguintes tipos: LCI, LCA, LC, LH, LCD;
- Depósitos a prazo;
- Operações compromissadas com títulos qualificados.
- Em acontecimento de liquidação, o FGC é a via para recuperar os valores dentro do limite.
Recursos e investimentos não abarcados pelo FGC:
- CRI e CRA;
- Debêntures;
- Letras financeiras dos seguintes tipos: LF, LI, LIG;
- Títulos públicos, pois esses títulos são garantidos pelo Tesouro Nacional;
- Títulos de capitalização;
- Fundos de renda fixa: em caso de falência, têm CNPJ distinto da entidade e podem ser transferidos para outro gestor;
- Depósitos no exterior;
- Depósitos judiciais.
O cliente deve estar ciente de que perderá esses valores em caso de falência da instituição.
5. Desconfie de rentabilidade fora do convencional
- Bancos pequenos oferecem taxas superiores a bancos grandes e de risco baixo;
- Bancos em apuros podem ofertar taxas muito acima da média do mercado para atrair recursos rapidamente;
- Retornos excepcionais quase sempre vêm acompanhados de maior risco;
- No caso de CDBs, a taxa máxima recomendada está em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O Banco Master apresentava taxas de 140% do CDI.
6. Mantenha-se alerta aos sinais de alarme
É impossível prever com precisão se um banco será liquidado, mas alguns indícios auxiliam:
- Decréscimo constante do Índice de Basileia;
- Prejuízos frequentes nos balanços;
- Degradação do rating;
- Notícias sobre investigações ou intervenção;
- Propostas agressivas de captação;
- Ingresso em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).
No caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024. O Índice de Imobilização estava negativo em 1,9% na mesma data, mesmo com resultado líquido de R$ 55,5 bilhões.
7. Compare com investimentos mais seguros
Para diminuir riscos, especialistas destacam:
- Tesouro Direto: risco de crédito considerado o menor do país;
- CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, com elevada solidez e proteção do FGC.
Fonte: Agência Brasil


