Os resultados das transações internacionais do Brasil em janeiro mostraram um saldo negativo de US$ 8,360 bilhões, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (24). No mesmo período de 2025, o déficit tinha sido de US$ 9,809 bilhões nas operações correntes, que englobam as aquisições e vendas de mercadorias e serviços, além das transferências de renda com outras nações.
A evolução na comparação anual decorre do acréscimo de US$ 2,1 bilhões no excedente comercial. Segundo o líder do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, esse aumento é fruto da redução de importações, que apresentou um cenário de contração em todos os setores, refletindo a moderação da atividade econômica no território nacional.
Colaborando para o fortalecimento do saldo, observou-se uma diminuição de US$ 581 milhões no déficit proveniente da prestação de serviços. Por outro lado, verificou-se um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que engloba o pagamento de juros e lucros, além de dividendos de corporações.
No período de 12 meses finalizado em janeiro, o déficit nas operações correntes totalizou US$ 67,551 bilhões, equivalente a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma dos bens e serviços produzidos no país. Em relação ao intervalo correspondente encerrado em janeiro de 2025, houve uma redução no déficit; naquele momento, o saldo em 12 meses foi negativo em US$ 72,421 bilhões, ou 3,35% do PIB.
Investimentos
Fernando Rocha destacou que as operações correntes apresentam um cenário bastante resiliente, com uma tendência de redução no déficit em 12 meses desde setembro de 2025. Conforme explicou, o déficit externo está sendo custeado por capitais de longo prazo, principalmente por meio dos investimentos diretos no país (IDP), os quais apresentam fluxos e reservas de alta qualidade.
O IDP somou US$ 8,168 bilhões em janeiro deste ano, em comparação com US$ 6,708 bilhões no mesmo período de 2025. Quando o país registra um saldo negativo nas operações correntes, é necessário cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos externos. O modo mais adequado de financiar o saldo negativo é por meio do IDP, uma vez que tais recursos são aplicados no setor produtivo e geralmente representam investimentos de longo prazo.
No acumulado de 12 meses até janeiro, esses investimentos diretos totalizaram US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB), frente a US$ 77,676 bilhões (3,41% do PIB) no mês anterior e US$ 72,798 bilhões (3,37% do PIB) no período encerrado em janeiro de 2025.
De acordo com Rocha, os resultados desses investimentos em 12 meses demonstram a solidez da economia brasileira, a qual está totalmente financiada pelo IDP.
No que diz respeito aos investimentos em carteira no mercado interno, houve um ingresso líquido de US$ 8,867 bilhões em janeiro, o maior desde julho de 2018. Ao longo dos 12 meses concluídos em janeiro, tais investimentos resultaram em ingressos líquidos no total de US$ 24,9 bilhões.
Já as reservas internacionais atingiram US$ 364,367 bilhões em janeiro, representando um acréscimo de US$ 6,134 bilhões em comparação com o mês anterior.
Operações correntes
Em janeiro deste ano, as exportações de bens totalizaram US$ 25,282 bilhões, apresentando uma redução de 1,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Por outro lado, as importações alcançaram US$ 21,766 bilhões, registrando uma queda de 10% comparado a janeiro do ano passado.
Com base nos resultados das exportações e importações, a balança comercial encerrou o mês passado com um superávit de US$ 3,516 bilhões, em contraste com o superávit de US$ 1,396 bilhões em janeiro de 2025.
O déficit na conta de serviços – envolvendo viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e propriedade intelectual, entre outros – atingiu US$ 3,972 bilhões no último mês, representando uma redução de 12,8% em relação aos US$ 4,553 bilhões no mesmo período de 2025.
No âmbito das viagens internacionais, o déficit na conta totalizou US$ 1,453 bilhão, um acréscimo de 48,4% em comparação com janeiro de 2025. Esse cenário é reflexo da diminuição de 9,3% (total de US$ 731 milhões) nas receitas – que representam os gastos dos estrangeiros em viagens ao Brasil – e do aumento de 22,4% nas despesas dos brasileiros no exterior, alcançando US$ 2,184 bilhões.
No mês de janeiro de 2026, o saldo negativo em renda primária – englobando lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários – atingiu US$ 8,312 bilhões, um aumento de 18,7% em relação aos US$ 7,001 bilhões registrados em janeiro do ano passado. Geralmente, tal conta é deficitária, visto que há mais investimentos estrangeiros no Brasil – e estes remetem os lucros para fora do país – do que investimentos brasileiros no exterior.
A conta de renda secundária – gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de moeda estrangeira, sem contrapartida de serviços ou bens – apresentou um resultado positivo de US$ 408 milhões no mês passado, em comparação com o superávit de US$ 349 milhões em janeiro de 2025.
Fonte: Agência Brasil


