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Dívida Pública se mantém estável, ultrapassando R$ 8,6 trilhões

Gabriel Aires
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Gabriel Aires
PorGabriel Aires
Gabriel Aires é editor-chefe e fundador do Tudo Crédito. Especialista em análise de produtos financeiros, foca na matemática aplicada para desmistificar algoritmos de Score e taxas...
1 mês atrás
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Os índices elevados impossibilitaram a redução da Dívida Pública Federal (DPF) em janeiro, ainda que tenha havido um grande vencimento de títulos preestabelecidos. Conforme dados tornados públicos nesta quarta-feira (25) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 8,635 trilhões em dezembro para R$ 8,641 trilhões no último mês, crescimento de 0,07%.

No mês de agosto no ano anterior, o indicador ultrapassou pela primeira vez o marco de R$ 8 trilhões. Conforme o Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado em janeiro, o estoque da DPF deverá encerrar 2026 entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) avançou 0,26%, passando de R$ 8,309 trilhões em dezembro para R$ 8,33 trilhões em janeiro. No último mês, o Tesouro resgatou R$ 67,02 bilhões em títulos a mais do que emitiu, principalmente em papéis associados à Selic. No entanto, esse resgate líquido foi compensado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros.

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Através da apropriação de juros, o governo reconhece, a cada mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e inclui o valor no estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros fundamentais da economia) em 15% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo.

No mês anterior, o Tesouro emitiu R$ 145,87 bilhões em títulos da DPMFi. Contudo, devido ao alto volume de vencimentos de títulos predefinidos em janeiro, comuns no início de cada trimestre, os resgates totalizaram R$ 212,89 bilhões.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) decresceu 4,75%, passando de R$ 326,07 bilhões em dezembro para R$ 310,59 bilhões em janeiro. O fator principal foi a redução de 4,95% do dólar no mês passado, em meio ao relaxamento no mercado financeiro durante o último mês.

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Colchão

Pelo segundo mês consecutivo, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de instabilidade ou de concentração intensa de vencimentos) declinou. Essa reserva passou de R$ 1,187 trilhão em dezembro para R$ 1,085 trilhão no último mês. De acordo com o Tesouro Nacional, o motivo principal foi o resgate líquido (resgates menos emissões) no mês passado.

No momento, o colchão cobre 6,77 meses de vencimentos da dívida pública, o menor período desde março do ano passado. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,424 trilhão em títulos federais. A expectativa é que as reservas aumentem nos próximos meses, devido ao reduzido volume de vencimentos.

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Composição

Com o substancial vencimento de títulos prefixados, a composição da DPF variou da seguinte maneira de dezembro para janeiro:

  •      Títulos associados à Selic: 48,25% para 49,42%;
  •      Títulos corrigidos pela inflação: 25,93% para 26,35%;
  •      Títulos predefinidos: 22,05% para 20,65%;
  •      Títulos correlacionados ao câmbio: 3,76% para 3,58%.

O PAF indica que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos

  •      Títulos associados à Selic: 46% a 50%;
  •      Títulos corrigidos pela inflação: 23% a 27%;
  •      Títulos predefinidos: 21% a 25%;
  •      Títulos correlacionados ao câmbio: 3% a 7%.

Em relação aos papéis vinculados à Selic, esses títulos estão despertando o interesse dos compradores devido aos elevados patamares dos juros básicos da economia. A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa.

Prazo

O prazo médio da DPF oscilou de 4 para 4,03 anos. O Tesouro fornece apenas a estimativa em anos, não em meses. Esse é o período médio em que o governo leva para refinanciar a dívida pública. Prazos mais extensos indicam maior confiança dos investidores na capacidade do governo de cumprir os compromissos.

Detentores

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna foi a seguinte:

  •      Instituições financeiras: 31,92% do estoque;
  •      Fundos de pensão: 22,66%;
  •      Fundos de investimentos: 21,36%;
  •      Não-residentes (estrangeiros): 10,69%;
  •      Demais grupos: 13,4%.

Em meio à redução das tensões no mercado financeiro em janeiro, a participação dos não residentes (estrangeiros) aumentou em relação a dezembro, quando se situava em 10,35%. Em novembro de 2024, o percentual estava em 11,2% e tinha alcançado o maior nível desde setembro de 2018, quando a fatia dos estrangeiros na dívida pública também estava em 11,2%.

Através da dívida pública, o governo obtém empréstimos dos investidores para cumprir compromissos financeiros. Em contrapartida, compromete-se a restituir os recursos após alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic (juros básicos da economia), a inflação, o dólar ou ser predefinida (definida antecipadamente).

Fonte: Agência Brasil

TAGS:dívida públicajurosMercado FinanceiroSelicTesouro Nacional
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PorGabriel Aires
Gabriel Aires é editor-chefe e fundador do Tudo Crédito. Especialista em análise de produtos financeiros, foca na matemática aplicada para desmistificar algoritmos de Score e taxas bancárias. Sua missão é revelar o que os bancos não contam e democratizar o acesso ao crédito com segurança técnica.

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