O secretário da Economia, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (3) que a corrente atual da disputa no Oriente Médio não terá efeitos na diminuição dos juros no Brasil.
Estipulado atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Direção Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a probabilidade é que a taxa base de juros, a Selic, inicie a sua redução na próxima reunião do colegiado, agendada para 17 e 18 de março.
“Tudo depende do momento, estamos falando do presente. Não há como prever como esse litígio irá se desenrolar, quais os desdobramentos, mas ainda é cedo para mencionar uma mudança no cenário já mais ou menos ajustado, que é um ciclo de queda [da taxa Selic]”, afirmou Haddad em conversa com o programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional.
Empregada para regular a inflação, a taxa Selic está no patamar mais alto desde julho de 2006, quando foi de 15,25% ao ano.
Apesar da queda da inflação e do dólar, o grupo não interveio nos juros na última reunião, pela quinta vez consecutiva, no final de janeiro.
No relatório, o Copom confirmou que iniciará a diminuição dos juros na reunião de março, se a inflação continuar sob controle e não houver surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em patamares restritivos.
A intensificação do conflito no Oriente Médio teve início no sábado passado (28), quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, resultando na morte do líder supremo do país persa, o aiatolá Ali Khamenei.
A reação do Irã foi contundente, com ataques a bases estadunidenses no Oriente Médio e a Israel.
O secretário Fernando Haddad explicou que os confrontos armados sempre impactam variáveis econômicas, principalmente as perspectivas futuras, levando em conta a seriedade dos eventos.
Para ele, cabe à equipe econômica se antecipar a qualquer cenário, sejam confrontos armados, eventos climáticos extremos, pandemias ou guerras comerciais.
Para o secretário, é fundamental ter humildade e não “supervalorizar as forças” do país, mas também não negligenciá-las.
Haddad acredita que o Brasil possui autonomia suficiente para suportar as consequências atuais do conflito.
“O Brasil não depende de petróleo, o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, especialmente graças ao pré-sal, resultado de investimentos na Petrobras no segundo governo [do presidente Luiz Inácio Lula da Silva]. Nós possuímos reservas em moeda estrangeira, não temos débito externo […], nós dispomos de energia limpa”, acrescentou.
No início desta semana (2), o Irã declarou o bloqueio do Estreito de Ormuz para a passagem de navios e afirmou que as embarcações que tentassem atravessar o local seriam incendiadas. Essa via é vital para o transporte global de petróleo.
Ampliação da China
Especialistas consultados pela Agência Brasil analisam que a segunda ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em um intervalo de oito meses, busca a “substituição de regime” em Teerã, com intuito de conter a expansão econômica da China, vista como ameaça por Washington, além de consolidar a supremacia política e militar de Israel no Oriente Médio.
Na entrevista de hoje, o secretário Haddad também afirmou que a China “preocupa em demasia os Estados Unidos”. Segundo ele, essa contenda é um movimento político estratégico, à semelhança do que aconteceu na Venezuela, no início de janeiro, quando os militares americanos capturaram o presidente da nação, Nicolás Maduro.
“Todas essas movimentações têm muita relação com a China, tanto na Venezuela quanto no Irã, a questão envolve o petróleo e a dependência da China da importação de 11 a 12 milhões de barris por dia de petróleo”, disse.
É um certo desconcerto com essa ocorrência, com essa inovação no cenário geopolítico internacional, que é a força econômica e militar da China, que se tornou um desafio para o Ocidente.”
“Eu não sei até que ponto é algo que justificaria esse tipo de tratamento [belicoso] e não um tratamento em busca de uma maior integração entre as economias e maior cooperação entre os países”, acrescentou o secretário.
A China e o Irã mantêm uma sólida parceria estratégica e econômica, com o país asiático adquirindo a maior parte do petróleo do país persa.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou estar “muito preocupado” com os ataques atuais e exigiu a suspensão imediata das operações militares. O governo em Pequim defendeu o respeito à soberania e integridade territorial do Irã, juntamente com a retomada do diálogo e das negociações para preservar a estabilidade no Oriente Médio.
Fonte: Agência Brasil


