A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) efetuou, nesta sexta-feira (20), inspeção em base de distribuição em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde várias empresas de combustível operam.
Os agentes investigam se houve ampliação da margem de lucro das distribuidoras após os desdobramentos provenientes da guerra no Oriente Médio.
A inspeção, de acordo com a ANP, integra uma série de atividades realizadas ao longo da semana, em postos de combustíveis e distribuidoras com foco na apuração de possíveis abusos na fixação de preços.
Nas atividades, também são verificados aspectos de qualidade e outros elementos relacionados às normas da ANP.
Apenas no local fiscalizado operam oito companhias, que adquirem combustíveis de refinarias, inclusive da Petrobras, para revender no varejo.
A inspeção consiste em comparar notas fiscais emitidas antes e depois do início da guerra no Oriente Médio.
A ANP ainda não tornou público o desfecho da inspeção.
Influência do conflito
Causadora do impacto global nos preços do petróleo, a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã teve início em 28 de fevereiro.
Uma das formas de retaliação do Irã é o ataque a países vizinhos produtores de petróleo e o bloqueio do Estreito de Ormuz, conexão marítima entre os golfos Pérsico e Omã, ao sul do Irã.
Por ali transitam 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A tensão na região intensifica a oferta de petróleo no mercado internacional, o que aumenta o valor dos preços.
O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.
No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último sábado (14), porém, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o ajuste nas bombas foi suavizado pela isenção (diminuição de tributos) realizada pelo governo.
Acréscimo excessivo
Nesta sexta-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, qualificou como “banditismo” e criticou postos de combustíveis que majoraram o valor do óleo diesel nas últimas semanas.
Para Boulos, o aumento do óleo diesel no país não é justificado pela guerra do Oriente Médio, uma vez que o governo federal anunciou medidas para controlar a escalada de preços, como a diminuição a zero das alíquotas de tributos federais que incidem sobre o combustível (PIS e Cofins).
O governo também sugeriu aos estados a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel importado.
* Colaborou Vladimir Platonow, repórter da TV Brasil
Fonte: Agência Brasil


