A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), entidade reguladora e fiscalizadora do setor aéreo nacional, está analisando a possibilidade de estabelecer uma classificação específica destinada a pilotos dos chamados “automóveis voadores”.
Foi aberta uma rodada de consultas públicas para receber contribuições da sociedade em relação aos novos critérios para pilotos das aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical.
Os automóveis voadores são conhecidos pela sigla eVTOL, que vem do termo em inglês electric vertical takeoff and landing.
Essa consulta pública vai servir de base para uma proposta de alteração do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 61, que define os requisitos para licenças, certificações e habilitações de profissionais da aviação civil.
A Anac tem a expectativa de obter contribuições principalmente de pilotos, entidades de treinamento, fabricantes, operadores e especialistas.
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Fase de transição
A Anac declarou que a iniciativa visa preparar, de maneira gradativa e segura, o sistema brasileiro de licenças para os denominados “novos conceitos de aeronaves” que compõem a mobilidade aérea avançada.
O objetivo da entidade é estabelecer um modelo de formação com treinamento específico para habilitação. Inicialmente, haverá um período de transição destinado aos pilotos de aviões e helicópteros já licenciados.
Para a Anac, esse período permitirá a acumulação de experiência operacional e evidências regulamentares, contribuindo para a criação de requisitos completos de formação de pilotos de automóveis voadores, sem a necessidade de experiência prévia em outras categorias.
A agência esclarece que a habilitação dos pilotos será especializada e complementada por uma supervisão prática em operações convencionais, sendo concluída com um exame prático de verificação de habilidades.
A consulta pública está em andamento até 16 de março. A participação é feita por meio do Portal Brasil Participativo.
Associação de aeronautas
Procurada pela Agência Brasil, a Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) comunicou que enxerga, em uma primeira análise, a chegada dos automóveis voadores como a abertura de um novo mercado.
“O que é positivo para os nossos filiados. Teremos uma adaptação teórica e prática, conforme a normatização que a Anac estabelecerá”, disse o diretor da Abrapac, Carlos Perin.
No entanto, Perin acredita que, no futuro, haverá a substituição desse tipo de profissional. Ele prevê que os automóveis voadores seguem rumo a um sistema de transporte não tripulado.
“A barreira cultural em relação ao transporte em aeronave não tripulada será progressivamente superada com a presença de um piloto nas versões iniciais do eVTOL”, explicou
“Após a aceitação cultural pelo mercado consumidor, essa função será desativada, e a versão final do projeto será implementada, com apenas passageiros a bordo da aeronave controlada remotamente”, concluiu o diretor da Abrapac.
Produção no Brasil
Ainda em fase de testes de protótipos e fase final, os eVTOLs são considerados como uma das perspectivas futuras da aviação.
Totalmente elétrico e sem uso de combustíveis fósseis, como gasolina, óleo ou querosene, o eVTOL é considerado uma tecnologia sustentável, capaz de contribuir para a transição energética em direção a uma economia de baixo carbono, ou seja, contrapondo o efeito estufa.
Em 2024, a Anac divulgou os critérios definitivos de aeronavegabilidade para o eVTOL. A documentação apresenta os padrões que a aeronave deve cumprir, incluindo estrutura, sistemas de controle, propulsão e bateria, entre outros. Essas informações são essenciais para garantir a segurança dos voos.
A fabricante privada brasileira Embraer se destaca como uma das pioneiras globalmente no desenvolvimento dessas aeronaves, por meio da subsidiária Eve Air Mobility (Eve).
A fábrica da empresa em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, busca desenvolver automóveis voadores viáveis comercialmente. No final de dezembro passado, a Eve realizou o primeiro voo de um protótipo da empresa.
Na última quinta-feira (5), a Eve anunciou a assinatura de um contrato para a venda de duas aeronaves para a empresa japonesa AirX, especializada em transporte aéreo. Atualmente, a companhia asiática opera com uma frota de helicópteros.
A entrega das aeronaves está prevista para 2029. O contrato tem a possibilidade de expansão, pois há uma opção de compra de até 50 unidades.
O projeto de desenvolvimento da Eve conta com apoio governamental, uma vez que a Embraer recebeu apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento à inovação do governo federal, subordinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Fonte: Agência Brasil


