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Cade autoriza United a ampliar participação na Azul

Gabriel Aires
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Gabriel Aires
PorGabriel Aires
Gabriel Aires é editor-chefe e fundador do Tudo Crédito. Especialista em análise de produtos financeiros, foca na matemática aplicada para desmistificar algoritmos de Score e taxas...
1 mês atrás
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De forma unânime, o plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu sinal verde nesta quarta-feira (11) para o acréscimo da presença minoritária da United Airlines na Azul, porém sob condições. A deliberação autoriza a entrada de US$ 100 milhões provenientes da companhia norte-americana, o que resultará num aumento da participação da United para cerca de 8% do total das ações da companhia aérea brasileira.

A transação faz parte do plano de reorganização da Azul nos Estados Unidos, realizado sob o Chapter 11. Estipulado pela legislação dos Estados Unidos, esse mecanismo viabiliza a empresas em dificuldades financeiras renegociar débitos e reestruturar suas operações com supervisão judicial, mantendo as atividades em andamento.

A Superintendência-Geral do Cade tinha anteriormente aprovado o acordo em dezembro, de forma sucinta, por entender que não traria riscos à concorrência. No entanto, o caso foi levado ao plenário do órgão após um recurso do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo), uma organização da sociedade civil que atua na defesa da concorrência e dos direitos dos consumidores.

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Obrigações

O relator do Tribunal do Cade, conselheiro Diogo Thomson, seguiu a análise da equipe técnica e votou a favor da aprovação sem restrições formais, porém ressaltou a importância de compromissos rígidos de governança e conformidade.

Conforme Thomson, o novo Estatuto Social da Azul inclui dispositivos para limitar o acesso a informações sensíveis do mercado e regulamentar possíveis conflitos de interesse.

“Acredito que as preocupações concorrenciais relacionadas ao possível compartilhamento de dados sensíveis estão, atualmente, suficientemente atenuadas”, afirmou Thomson.

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Impacto no segmento aéreo

Segundo o IPSConsumo, a transação deveria ter contemplado também potenciais acordos com a American Airlines, dados os laços estratégicos no Chapter 11. A entidade também apontou possíveis riscos competitivos decorrentes da presença da United na Azul e, ao mesmo tempo, na holding Abra, controladora da Gol.

Na análise do relator, porém, a notificação conjunta não é compulsória quando as negociações não estão no mesmo estágio ou envolvem instrumentos diversos, desde que devidamente informados ao Cade.

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Thomson alertou que a entrada eventual da American Airlines no capital da Azul pode modificar substancialmente o cenário competitivo e exigirá uma nova análise minuciosa por parte do órgão antitruste.

O tribunal ressaltou que qualquer aumento futuro na participação da United, alterações nos direitos políticos, prerrogativas de governança ou incremento de influência, devem ser previamente comunicados ao Cade. O não cumprimento das condições estabelecidas poderá resultar na revisão da decisão.

Embora o novo Estatuto Social da Azul ainda não tenha sido oficialmente aprovado, o relator afirmou que os termos acordados foram considerados como premissas relevantes para a aprovação da transação.

Recuperação

Durante o processo, a Azul alertou que a demora na análise poderia acarretar “sérios riscos” à saúde financeira e à continuidade operacional da empresa.

A companhia salientou os custos mensais elevados da reestruturação e afirmou que a conclusão era fundamental para reforçar sua posição competitiva.

Iniciado em maio de 2025, o plano de recuperação prevê a captação mínima de US$ 850 milhões para viabilizar a saída da Azul do Chapter 11, sendo US$ 750 milhões aportados por credores e US$ 100 milhões pela United.

De acordo com a companhia, a conclusão do processo possibilitará a reinserção da capacidade operacional e a expansão da oferta de voos domésticos e internacionais, fortalecendo a competição no setor aéreo brasileiro.

Termos explícitos

Por meio de comunicado, a presidente do IPSConsumo, Juliana Pereira, enfatizou que o veredicto estabelece termos claros. “A autorização foi concedida com base em premissas muito claras: inexistência de relação com a American Airlines, compromissos reforçados de governança e conformidade e proibição de troca de dados sensíveis”, declarou.

Juliana Pereira frisou que o Cade determina que qualquer mudança significativa nesse cenário ou desrespeito a esses compromissos poderá levar à revisão do negócio.

Fonte: Agência Brasil

TAGS:AzulCadeCompanhia Aéreaparticipação acionáriaunited
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PorGabriel Aires
Gabriel Aires é editor-chefe e fundador do Tudo Crédito. Especialista em análise de produtos financeiros, foca na matemática aplicada para desmistificar algoritmos de Score e taxas bancárias. Sua missão é revelar o que os bancos não contam e democratizar o acesso ao crédito com segurança técnica.

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