A proposta de crédito para o indivíduo e o nível historicamente reduzido do desemprego são fatores que justificam o marco nas vendas do comércio varejista, ainda em um ambiente de juros elevados.
A observação é feita pelo dirigente da Investigação Mensal de Comércio, Cristiano Santos, com base nos dados publicados nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), situado no Rio de Janeiro.
No primeiro mês do ano, houve uma elevação de 0,4% nas vendas em comparação com dezembro, desdobramento que manteve o setor no ponto mais alto já alcançado, igualando o nível de novembro de 2025.
O setor de hipermercados, supermercados, itens alimentares, bebidas e tabaco teve idêntico desempenho e ampliou em 0,4% na transição de dezembro para janeiro, totalizando o mais elevado patamar de vendas já apurado pela apuração do IBGE.
A atividade é considerada o indicador-chave do comércio, com relevância de 55,2% no total do varejo.
Registros no cenário de emprego
Ao discorrer sobre os resultados, o administrador da análise enfatizou o incentivo à economia proporcionado pelo quadro de emprego. Santos mencionou fatos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), também desenvolvida pelo IBGE, que demonstram aumento de 2,9% da renda total em janeiro, em relação ao mês anterior.
Com o marco histórico de R$ 370,3 bilhões, a remuneração total é a soma de ganhos recebidos pelo grupo de funcionários.
Além disso, a taxa de desocupação de 5,4% no trimestre finalizado em janeiro é a mais baixa já registrada. O número de pessoas empregadas, 102,7 milhões, também é um recorde para esse período.
Crédito em ampliação
O analista do IBGE também chamou atenção para o incentivo proporcionado pelo financiamento. Em janeiro, a proposta para o indivíduo incrementou em 1,6% em comparação com dezembro.
A expansão ocorre apesar de a taxa de juros base, a Selic, estar em 15% ao ano (a.a.), o ponto mais alto desde julho de 2006, quando estava em 15,25%.
“O financiamento continua em expansão. Tende a sustentar um avanço do comércio ou uma preservação em uma posição elevada”, falou. “A taxa de juros não resultou em uma diminuição no financiamento ao indivíduo”, observa o investigador.
Ele pondera que os créditos para a compra de automóveis diminuíram 6,2% no período, mas ressalta que o “principal elemento do financiamento para o comércio é o financiamento ao indivíduo”.
Esclarecimento dos juros elevados
A taxa Selic em nível elevado é uma reação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) à inflação, que permaneceu praticamente todo o ano de 2025 fora da meta de 3% a.a., com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos no acumulado de 12 meses.
A Selic influencia todas as outras taxas de juros do país e, quando alta, atua de forma restritiva na economia, ou seja, encarece operações de crédito e desencoraja investimentos e consumo.
O efeito esperado é a redução da demanda por produtos e serviços, reduzindo a inflação. O impacto indesejado é que a economia pouco ativa tende a diminuir a geração de empregos.



