O Banco do Brasil obteve ganho líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, redução de 45,4% em comparação com o ano precedente, conforme demonstrado no relatório divulgado ontem à noite pela organização. As recentes normas contábeis e o incremento da inadimplência impactaram o desempenho.
No último trimestre de 2024, o BB registrou ganhos de R$ 5,742 bilhões, decréscimo de 47,2% em relação ao trimestre anterior. .
Em comunicado, o Banco do Brasil salientou que a receita operacional está em ascensão, apesar das dificuldades causadas pela inadimplência. De acordo com o banco, as receitas financeiras provenientes do crédito para indivíduos e do Programa Crédito do Trabalhador, que consolida a contração de crédito consignado para funcionários de companhias privadas, têm ajudado a instituição financeira.
“Foram liberados R$ 13 bilhões em crédito para trabalhadores, o que reforça nossa expectativa declarada de crescimento em áreas com melhor retorno ajustado ao risco”, enfatizou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.
No começo do ano passado, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) entrou em vigor, modificando a contabilidade das instituições financeiras e influenciando os resultados. Aprovadas em 2021, as novas diretrizes só foram implementadas em 2025.
A resolução altera o modelo de reservas financeiras para cobrir possíveis inadimplências para perdas previstas, baseadas em projeções. Isso impactou a maneira como algumas despesas e receitas eram reconhecidas, resultando no banco deixando de contabilizar R$ 1 bilhão em receitas de crédito.
Inadimplência
O índice de inadimplência, que leva em consideração atrasos superiores a 90 dias, subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no final de 2025. O aumento ocorreu principalmente no setor do agronegócio, segmento em que o banco se destaca na concessão de crédito, e na categoria de cartões de crédito.
Crescimento do crédito
BB concedeu mais empréstimos em 2025, impulsionado especialmente pelo crédito às pessoas físicas. A carteira de crédito expandida encerrou o ano passado em R$ 1,296 trilhão, com aumento de 1,4% no último trimestre e de 2,5% no ano.
Quanto à distribuição por segmentos de crédito, os resultados foram os seguintes:
- R$ 356,96 bilhões no encerramento de dezembro, crescimento de 1,8% no trimestre e de 7,6% em um ano, com destaque para o novo tipo de crédito consignado para CLT, direcionado a empregados do setor privado, com R$ 14,3 bilhões emprestados.
- R$ 455,15 bilhões, alta de 0,5% no trimestre e de 0,6% em um ano. A carteira para grandes empresas totalizou R$ 260,4 bilhões, com elevação de 4,3% em 12 meses, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas atingiu R$ 115,2 bilhões, redução de 7,9% no ano passado.
- R$ 406,13 bilhões, crescimento de 1,8% no trimestre e de 2,1% em um ano. Durante os seis meses do Plano Safra 2025/2026, o Banco do Brasil concedeu R$ 103,9 bilhões em empréstimos ao agronegócio, além de R$ 12,3 bilhões em linhas para a cadeia de valor agrícola.
- R$ 415,1 bilhões, financiando atividades com impacto social e ambiental positivo, com aumento de 7,3% em 12 meses. Esta carteira corresponde a 32% do crédito total do banco.
Receitas e despesas
Esse montante representa declínio de 1,9% em comparação com o ano anterior.
Segundo o BB, a diminuição foi compensada pelo crescimento nas receitas com administração de fundos (+13,5%), taxas de consórcios (+19,3%) e ganhos do mercado de capitais (+7,9%).
Previsões para 2026
O BB revelou as projeções para o ano de 2026. Após a diminuição dos lucros em 2025, o banco espera a recuperação dos ganhos neste ano.
- R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões;
- de 0,5% a 4,5%; com aumento de 6% a 10% para pessoas físicas; redução de 2% a acréscimo de 2% para o agronegócio; e retração de 3% a elevação de 1% para empresas;
- crescimento de 2% a 6%;
- crescimento de 5% a 9%;
- R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões;
“Conseguimos nos adaptar ao cenário com transparência e muita dedicação de nossos funcionários para que tenhamos um 2026 com retomada de patamares de rentabilidade do tamanho do BB. Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão, com lucro de R$ 5,7 bilhões, um crescimento de 51,7% na comparação com o trimestre anterior”, afirmou Tarciana Medeiros.
Fonte: Agência Brasil


