Associado a um dia cheio de ansiedade devido à intensificação da disputa no Oriente Médio, a moeda norte-americana finalizou o dia de hoje com seu maior valor desde janeiro, impulsionada pelo crescimento da aversão ao risco global. A bolsa registrou uma queda próxima de 1%, alcançando o patamar mais baixo em praticamente dois meses.
O dólar americano aumentou 1,41% e encerrou a R$ 5,316. Em seu pico durante o dia, por volta das 16h45, chegou a atingir R$ 5,325.
O encerramento com o maior valor desde 21 de janeiro reflete um movimento global em busca de ativos considerados mais seguros, como o dólar, diante do agravamento das tensões envolvendo o Irã e os ataques realizados por Israel.
As palavras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometendo intensificar atividades militares contra o Irã, aumentaram as preocupações relacionadas a um conflito prolongado e seus impactos nos preços da energia.
Na semana, o dólar acumulou valorização de 1,38%. Em março, a moeda já apresenta um aumento de 3,55%, revertendo parte da baixa de 2,16% registrada em fevereiro. No acumulado de 2026, contudo, o dólar ainda apresenta desvalorização de aproximadamente 3,15% em relação ao real, depois de ter recuado mais de 6% nos primeiros meses do ano.
No mercado cambial brasileiro, o real teve o desempenho mais fraco entre as principais moedas emergentes. Houve uma saída considerável de capital do país e aquisições de dólares por investidores que se aproveitaram da cotação vantajosa, após o expressivo desempenho da moeda brasileira nos dois primeiros meses do ano.
Intervenção
De manhã, o Banco Central realizou uma operação conhecida como “casadão”, vendendo US$ 1 bilhão no mercado à vista e disponibilizando 20 mil contratos de swap cambial reverso, operação equiparada à compra de dólar futuro. Essa intervenção ocorreu em meio a sinais de menor liquidez e pressão no chamado cupom cambial, que reflete a taxa de juros em dólar no país.
No exterior, a valorização do dólar norte-americano também se refletiu no avanço do Índice do Dólar (DXY), indicador que avalia o desempenho do dólar em relação a um grupo de moedas fortes. O índice ultrapassou os 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025 e fechou o dia próximo aos 100,5 pontos, com ganho superior a 1,6% na semana.
De acordo com analistas, além da busca por proteção, o movimento também reflete alterações nas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos. A alta do petróleo e as incertezas sobre inflação estão levando os investidores a reduzir as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve.
Mercado de ações
No mercado de ações brasileiro, o clima de aversão ao risco também afetou a bolsa. O Ibovespa teve queda de 0,91%, encerrando em 177.653 pontos. Este é o menor patamar desde 22 de janeiro.
Ao longo do dia, o índice chegou a operar acima dos 178 mil pontos, mas perdeu força na segunda metade do pregão e encerrou próximo da mínima do dia.
Na semana, o índice acumulou uma queda de 0,95%, após uma diminuição mais acentuada de 4,99% na semana anterior. Mesmo com o recente desempenho negativo, o Ibovespa ainda apresenta um aumento de 10,26% no acumulado de 2026. Em março, entretanto, a baixa já chega a 5,9%.
Incertezas
A queda foi especialmente influenciada pelo aumento das incertezas geopolíticas diante do risco de ampliação do conflito envolvendo o Irã. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de intensificar os ataques ao país aumentaram a cautela entre os investidores, especialmente às vésperas do fim de semana, quando os mercados permanecem fechados.
A tensão geopolítica também impulsionou o preço do petróleo. O contrato do petróleo do tipo Brent, usado nas transações internacionais, para maio teve um avanço de 2,67% e fechou a US$ 103,14 por barril, acumulando um ganho semanal de cerca de 11%.
A commodity já apresenta um aumento de mais de 40% em março e cerca de 70% no ano.
* Com informações da Reuters
Fonte: Agência Brasil


