O Colegiado de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) terá mais uma reunião nesta semana para deliberar acerca da taxa oficial de juros, a Selic, e a previsão do mercado financeiro é de uma redução de 0,25 ponto percentual, resultando em 14,75% ao ano. As projeções constam no boletim Focus do presente dia, publicação periódica do BC que reúne as previsões de instituições financeiras relativas aos principais indicadores econômicos.
A Selic, estabelecida atualmente em 15% ao ano, desempenha a função primordial na consecução da meta inflacionária por parte do órgão. Ainda que a inflação e o câmbio tenham manifestado recuos, o Colegiado de Política Monetária tem mantido inalteradas as taxas por cinco ocasiões consecutivas na reunião passada, em meados de janeiro.
A taxa atual encontra-se no seu patamar mais elevado desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. Em termo de ata, o conselho assegurou que planeja dar início a uma redução nas taxas na reunião a ocorrer em março, agendada para os dias de terça-feira (17) e quarta-feira (18), desde que a inflação permaneça sob controle e o panorâma econômico não apresente surpresas. Contudo, os juros deverão ser mantidos em níveis restritivos.
Na última semana, os agentes do mercado estimavam um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, entretanto, o aumento nas expectativas de inflação alterou esse cenário. Dentre os motivos desse redirecionamento destaca-se o impacto econômico dos confrontos no Irã, que resultou no aumento do preço do petróleo exercendo pressão na inflação futura.
De modo análogo, a previsão dos analistas de mercado para a taxa Selic básica, até o término de 2026, foi ajustada neste relatório do boletim Focus, com a perspectiva de redução passando de 12,13% ao ano para 12,25% ao ano. Para os anos de 2027 e 2028, aguarda-se que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em relação a 2029, prevê-se que a taxa atinja 9,5% ao ano.
Quando ocorre o acréscimo da taxa Selic pelo Copom, visa-se conter a demanda aquecida; este movimento repercute nos preços, dado que as maiores taxas de juros encarecem o crédito e promovem a poupança. Desse modo, as taxas mais elevadas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos levam em consideração, além da taxa Selic, outros fatores ao definir as taxas cobradas dos consumidores, tais como o risco de inadimplência, a margem de lucro e os custos administrativos.
Quando a Taxa Selic é reduzida, é provável que o crédito se torne mais acessível, fomentando a produção e o consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Inflação
A estimativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice oficial de inflação do país – elevou-se de 3,91% para 4,1% em 2026. Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 3,8%. Já para os anos de 2028 e 2029, as previsões situam-se em 3,5%, ambos os anos.
A despeito da elevação, a projeção para a variação de preços em 2026 mantém-se dentro da faixa da meta estipulada pelo BC. Fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
No mês de fevereiro, a alta nos preços dos transportes e da educação provocou um incremento na inflação oficial, que encerrou em 0,7%, um avanço em relação ao registrado em janeiro, 0,33%. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tal desempenho fez com que o IPCA acumulasse uma alta de 3,81% em 12 meses.
PIB e câmbio
A previsão das instituições financeiras para o crescimento econômico do Brasil neste ano oscilou de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) estabilizou em 1,8%. Para os anos de 2028 e 2029, o mercado financeiro antevê a expansão do PIB em 2% em ambos os anos.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025. Com crescimento em todos os setores, com destaque para a agropecuária, o resultado assinala o quinto ano consecutivo de expansão econômica.
Nesta edição do boletim Focus, a estimativa para o câmbio está em R$ 5,40 para o final deste ano. Para o término de 2027, projeta-se que a moeda norte-americana atinja R$ 5,47.
Fonte: Agência Brasil


