A Associação Nacional dos Trabalhadores do Petróleo (ANP) argumentou hoje que a mudança na fonte de energia no país não deve seguir os mesmos padrões excludentes e precisa ser utilizada para impulsionar a revitalização industrial, criação de empregos de excelência e fortalecimento das empresas públicas.
A declaração foi feita pelo líder da ANP, Deyvid Bacelar, durante o debate sobre “Relações Laborais, Digitalização e Mudança Equitativa”, realizado no Rio de Janeiro pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
Bacelar salientou que a mudança da fonte de energia está em questão, e o Brasil precisa desenvolver um percurso próprio, com independência e inclusão social.
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Segundo ele, a transição precisa estar conectada a uma estratégia industrial de longo prazo, com investimentos em pesquisa, inovação e papel fundamental das empresas estatais.
“A transformação da fonte de energia no Brasil requer uma atenção especial às discrepâncias tecnológicas e às capacidades locais, sob risco de perpetuar desigualdades e prejudicar sua efetividade. Num país de vasta extensão territorial, não existe uma solução única ─ as alternativas tecnológicas devem se adequar às especificidades locais”, declarou o líder.
O representante sindical argumentou que cabe ao governo orquestrar esse processo, unindo avanço tecnológico com progresso regional. O objetivo é garantir não somente a diminuição das emissões de gases do efeito estufa, mas também gerar trabalho de qualidade, renda e autonomia, respeitando as particularidades de cada região.
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A ANP também ressaltou a demanda por capacitação profissional, fortalecimento dos serviços públicos e combate à pobreza energética, além da ampliação do amparo social às comunidades mais afetadas pela crise climática.
O debate contou também com a presença de Adriana Marcolino, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese); Fabiola Latino Antezano, da Central Única dos Trabalhadores (CUT); e Felipe Pateo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A mediação foi feita pelo jornalista Lucas Pordeus, da Agência Brasil.
O fórum continuará amanhã (26), com especialistas, pesquisadores, representantes do setor público e do movimento sindical, para discutir os desafios da mudança na fonte de energia e suas consequências para o progresso do país.
Fonte: Agência Brasil


