O ministro designado responsável pela pasta da Fazenda, Fernando Haddad, declarou na manhã de hoje, em São Paulo, que é oportuno para o Brasil iniciar uma reflexão sobre uma revisão na estrutura das despesas sociais, sugerindo a junção dos benefícios sociais existentes. De acordo com ele, essa proposta não é um projeto oficial do governo e ainda não foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas já está em fase de análise.
“Analisando o orçamento, pode ser que o Brasil esteja pronto para uma abordagem mais inovadora”, admitiu o ministro, durante uma entrevista no CEO Conference Brasil 2026, organizado pelo BTG Pactual.
“Pode ser que estejamos em um cenário que permita uma nova estrutura no que diz respeito aos gastos, principalmente em programas assistenciais. A discussão sobre renda mínima, por exemplo, caminha nessa direção”, avaliou.
Haddad comparou a ideia de criar uma nova estrutura à iniciativa do Bolsa Família, lançada por Lula em 2003, que agregou diversos outros programas sociais existentes.
“Será que não seria oportuno realizar algo semelhante ao que o presidente Lula implementou em 2003, quando havia vários programas e o Bolsa Família surgiu como o principal programa unificador, tornando-se uma referência nacional e global, inclusive reconhecido por especialistas e organizações internacionais?”, indagou o ministro.
Segundo Haddad, a proposta desse novo projeto não visa a redução de gastos, mas sim a modernização e tornar mais eficiente e sustentável os programas sociais. “Essa é a natureza da discussão em curso entre os especialistas, inclusive dentro do aparato técnico do Estado brasileiro, sem necessariamente estarem vinculados ao governo, e que enxergam nesse contexto econômico uma oportunidade de revisitar esse tema de maneira mais contemporânea”.
Banco Central e Master
O ministro enfatizou a importância de “zelo pelo Banco Central”, pois este “tem o potencial de contribuir significativamente, ou prejudicar consideravelmente, os governos e o país”.
“Eu presto muita atenção em tudo o que o Banco Central expressa e faz”, destacou Haddad.
Segundo o ministro, quando ele expressa críticas à manutenção de altas taxas de juros no país, trata-se apenas de uma ponderação sobre o tema e não um comentário que possa manchar a reputação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
“Quando menciono que não vejo motivos sólidos para a taxa de juros reais continuar ascendendo da forma como está, dado que a inflação está em queda e a taxa de juros nominal mantém-se estável em 15%, não é minha intenção difamar a autoridade, mas sim ponderar. Uma ponderação acessível a qualquer pessoa”, explicou.
Haddad, ainda, elogiou novamente a atuação de Galípolo frente às denúncias envolvendo o Banco Master. “A realidade é que o Banco Master, até 2024, vinha em um crescimento exponencial que foi interrompido assim que Galípolo assumiu o cargo. Ele se viu diante de uma situação bastante preocupante em relação ao que estava acontecendo ali”, afirmou.
“Além disso, concretamente, foi descoberta uma fraude de R$ 12 bilhões. Diante disso, não havia muito o que fazer, não apenas em termos do patrimônio do próprio Master, mas também do banco que adquiriu uma carteira fraudulenta”, acrescentou.
De acordo com o ministro da Fazenda, serão as investigações dos órgãos competentes que determinarão as responsabilidades pela gestão fraudulenta. “Como foi possível que esse banco crescesse nessa escala? Alguém terá de prestar esclarecimentos sobre como essa situação chegou a esse ponto”.
Reforma tributária
Ainda durante a entrevista, o ministro elogiou a reforma tributária, afirmando que, após sua implementação, o Brasil terá um dos melhores sistemas tributários do mundo. Segundo ele, esse será o principal legado de sua gestão como ministro da Fazenda para o país.
“As pessoas ainda não compreendem totalmente a profundidade das mudanças que ocorrerão nos impostos sobre o consumo no Brasil. Atualmente, temos um dos piores sistemas tributários do mundo, conforme documentado pelo Banco Mundial. Na última avaliação, ocupamos a vergonhosa posição de 184 entre 190 países avaliados. Contudo, acredito que alcançaremos um dos melhores sistemas tributários globais”, declarou.
Haddad ressaltou que a nova avaliação será resultado do nível de “digitalização e transparência” implementados na reforma tributária do Brasil.
“A reforma tributária será marcante, e acredito que a partir de 1º de janeiro do próximo ano, isso estará claro para todos nós”.
Fonte: Agência Brasil


