A Petrobras confirmou o desejo de recomprar a Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia, privatizada em 2021, no governo Jair Bolsonaro. A reafirmação foi comunicada por meio de um documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na terça-feira passada (24).
No dia anterior (23), a CVM ─ órgão federal responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais (onde está a Bolsa de Valores) ─ solicitou esclarecimentos à empresa de petróleo em relação às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia anunciado a intenção da companhia de recomprar a refinaria baiana, conhecida também como Refinaria Landulpho Alves.
Os comentários de Lula foram feitos na sexta-feira passada (20), durante um evento na refinaria Gabriel Passos, em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, estava presente ao lado do presidente.
Posição pública
A CVM tem o costume de solicitar esclarecimentos públicos de empresas listadas na Bolsa de Valores a respeito de notícias na mídia sobre transações de compra e venda, como a mencionada pelo presidente Lula.
Em resposta à solicitação, a Petrobras comunicou que “avalia continuamente oportunidades de investimento e negócios, incluindo a possível aquisição da Refinaria de Mataripe S.A.”.
A empresa também destacou que a intenção já havia sido mencionada oficialmente em comunicados divulgados em dezembro de 2023 e março de 2024.
No entanto, a Petrobras esclarece que não possui informações relevantes adicionais para divulgar.
“A Petrobras reitera seu compromisso com a total transparência e informará o mercado sobre qualquer evento considerado relevante sobre o assunto”, encerra a resposta à CVM.
Processo de privatização
A Refinaria Landulpho Alves é a segunda maior do país e está localizada no distrito de Mataripe, em São Francisco do Conde, região metropolitana de Salvador.
A refinaria começou suas operações em setembro de 1950, sendo a mais antiga do Brasil.
Em 2021, foi adquirida pela Mubadala Capital, empresa que representa o fundo de investimento do governo de Abu Dhabi. A responsável pela refinaria passou a ser a empresa Acelen.
Mataripe tem capacidade de refino de 300 mil barris de petróleo diariamente, correspondendo a 14% da capacidade total de refino do país.
A refinaria produz diesel, gasolina, querosene de aviação (QAV), asfalto, solventes, lubrificantes e gás de cozinha (GLP), entre outros produtos.
Controle estatal
A menção de Lula à recompra de Mataripe ocorreu em um momento em que o governo perdeu o controle sobre o preço dos combustíveis, em especial do diesel, durante a crise no Irã, que afetou a produção e o transporte de petróleo no mercado global.
“Pode levar um tempo, mas vamos efetuar a compra”, afirmou o presidente na ocasião.
Além das críticas à venda da refinaria, o governo também expressa descontentamento em relação à venda de postos de combustíveis.
Ainda na gestão Bolsonaro, a BR Distribuidora, antes subsidiária da Petrobras, foi privatizada visando otimizar a carteira e alocar melhor os recursos da petrolífera. A compradora foi a Vibra Energia.
A transação inclui a permissão para a compradora manter a marca BR até 28 de junho de 2029. Assim, embora mantenham a identidade visual da BR, os postos espalhados pelo país não pertencem mais à empresa, que também concordou em não competir com a Vibra, conforme um acordo de non-compete.
Fonte: Agência Brasil


