Nesta quinta-feira (16), foi anunciado pelo governo federal os setores econômicos que terão prioridade na obtenção do crédito de R$ 15 bilhões, destinado a minimizar os efeitos do conflito no Oriente Médio e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A medida também vai beneficiar áreas consideradas cruciais, que apresentam déficit na balança comercial, como a indústria farmacêutica e a tecnologia da informação. Os detalhes foram revelados por Geraldo Alckmin, presidente em exercício, em uma coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto.
O novo plano de auxílio, divulgado no mês anterior, será operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como parte da segunda fase do Programa Brasil Soberano, lançado por volta de 2025, para empresas exportadoras impactadas pelas tarifas dos EUA naquela época.
As tarifas de 50% impostas por Donald Trump, presidente dos EUA, foram posteriormente reduzidas para 15% para todos os países que vendem para os EUA, devido a uma decisão da Suprema Corte dos EUA em outubro do ano passado, conforme reportagem disponível aqui.
“O montante de R$ 15 bilhões visa apoiar os afetados pelas tarifas impostas pelos EUA, os que enfrentam dificuldades nas exportações para o Golfo Pérsico, e os setores estratégicos, especialmente aqueles com déficit na balança comercial. Saúde, TI, química, são exemplos de setores com maior déficit na balança comercial”, destacou Alckmin.
A abertura das linhas de crédito foi viabilizada após o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovar, também nessa quinta-feira, uma resolução estabelecendo as condições para a concessão do crédito.
Beneficiários do Crédito
Três grupos empresariais terão direito ao crédito, de acordo com a Portaria Interministerial divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No primeiro grupo, estão as empresas que exportam bens industriais e seus fornecedores afetados pelas tarifas dos EUA, cujo faturamento bruto com exportações representou 5% ou mais do total apurado entre agosto de 2024 e julho de 2025.
Setores mais impactados incluem indústrias de aço, cobre e alumínio, sujeitas a tarifas adicionais de 50%, além dos segmentos de peças automotivas e alguns tipos de móveis, que pagam uma taxa de 25% para vender aos norte-americanos.
O segundo grupo abrange empresas de setores considerados vitais, devido à importância da tecnologia e ao impacto da modernização na produção nacional, como têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e equipamentos eletrônicos e de informática, além de borracha e minerais críticos.
O terceiro grupo engloba empresas exportadoras e seus fornecedores para os países do Golfo Pérsico, na região do Oriente Médio. Este grupo inclui empresas brasileiras que vendem para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã, com faturamento bruto de exportações representando 5% ou mais do total apurado entre janeiro e dezembro de 2025.
Taxas de Juros e Prazos
As linhas de crédito visam financiar o capital de giro; capital de giro destinado à produção para exportação; compra de bens de capital; e investimentos para ampliar a capacidade produtiva ou fortalecer a cadeia produtiva, adequar atividades produtivas e investir em inovação tecnológica ou adaptar produtos, serviços e processos.



