O governo do Brasil conseguiu obter 5 bilhões de euros hoje em uma emissão de títulos no mercado europeu, marcando a volta do país a essa modalidade após mais de dez anos de ausência. A transação foi realizada pelo Tesouro Nacional e divulgada pelo secretário da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo o secretário, a emissão foi fragmentada em três prazos diferentes: quatro, sete e dez anos. Detalhes sobre a operação foram revelados pelo secretário durante compromissos oficiais em Washington, nos Estados Unidos, onde está participando de encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
Interesse acima do previsto
De acordo com o secretário, a demanda pelos títulos ultrapassou as estimativas do governo, sinalizando um grande interesse por parte de investidores estrangeiros.
“Alcançamos uma arrecadação histórica”, declarou Durigan. “Voltamos ao mercado europeu com êxito e estamos planejando explorar novos mercados até o fim do ano.”
Conforme cálculos fornecidos por entidades financeiras internacionais, a emissão foi dividida em três categorias: 2 bilhões de euros em títulos com vencimento em 2030, 1,5 bilhão de euros com vencimento em 2033 e 1,5 bilhão de euros com vencimento em 2036.
O Tesouro Nacional fornecerá posteriormente detalhes como taxas de juros e spread (diferença entre as taxas de captação e os títulos do Tesouro da Alemanha). A última emissão do governo brasileiro em euros ocorreu em 2014.
Estratégia de endividamento
A operação faz parte da estratégia do governo para gerir a dívida pública e ampliar a participação do Brasil em diferentes mercados e moedas.
Conforme o Tesouro, a emissão também visa estabelecer uma referência para títulos em euros, o que pode facilitar futuras captações de empresas brasileiras no exterior.
Os recursos obtidos serão utilizados principalmente para refinanciar a dívida pública federal, substituindo passivos já existentes.
Instituições coordenadoras
A operação foi coordenada por empresas financeiras internacionais, incluindo BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS.
A decisão de realizar a emissão foi tomada após encontros do Tesouro Nacional com investidores realizados anteriormente, em um cenário considerado favorável no mercado internacional.
Previsão do FMI
Em compromissos nos Estados Unidos, Durigan também comentou a revisão da estimativa de crescimento do Brasil pelo FMI, que agora prevê um aumento de 1,9% no Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar da melhora, o secretário destacou que os altos juros globais podem limitar o crescimento econômico nos próximos anos.
“Nosso compromisso é estabilizar e reduzir a trajetória da dívida pública no médio e longo prazo”, afirmou.
Quanto à previsão do FMI de que a dívida pública bruta do Brasil atingirá 100% do PIB em 2027, Durigan sublinhou que as estimativas do Fundo Monetário são mais altas que as do governo brasileiro devido a uma diferença de metodologia.
O FMI inclui na dívida bruta os títulos do Tesouro em posse do Banco Central (BC), usados para regular a quantidade de dinheiro em circulação na economia e para estabelecer a Taxa Selic (taxa de juros básica). O governo brasileiro não considera esses papéis nas estatísticas de dívida pública.
Fonte: Agência Brasil


